Notícia de ZEROHORA.com, 04 de dezembro de 2007.
O maior golpe na indústria do jogo
Em uma ação inédita no Estado, a Polícia Federal prendeu 47 pessoas, incluindo 11 policiais, e apreendeu centenas de equipamentos eletrônicos, 73 carros, 30 armas e cerca de R$ 500 mil
A operação que resultou na prisão de 47 pessoas entre a manhã e a tarde de ontem foi comemorada pela Polícia Federal (PF) como o maior golpe na exploração dos jogos de azar no Estado nos últimos anos. Entre os presos estão 11 policiais civis e militares, que ajudariam o grupo a movimentar R$ 2 milhões por dia com caça-níqueis na Serra, na Grande Porto Alegre, no Vale do Sinos e em Curitiba (PR).
As organizações ainda tinham negócios espalhados em outras cidades do Rio Grande do Sul e em Florianópolis (SC). Dos seis grupos identificados, três são da Serra - Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Carlos Barbosa - , um de Porto Alegre, um de São Leopoldo e um de Curitiba. Não há confirmação da conexão entre eles, mas todos se valiam da corrupção policial para atuar impunes.
Com os 52 mandados de prisão e os 70 de busca e apreensão, foram recolhidos centenas de caça-níqueis e equipamentos usados na montagem das máquinas. Em Novo Hamburgo, a polícia fechou uma fábrica de aparelhos (leia página ao lado).
Segundo o delegado da PF em Caxias, Noerci da Silva Melo, foram apreendidos 73 veículos, cerca de R$ 500 mil e 30 armas. A divulgação do total recolhido só será feita hoje. O delegado acredita que em torno de mil caça-níqueis, alguns portáteis, tenham sido apreendidos.
Os policiais envolvidos no esquema receberiam entre R$ 1 mil e R$ 30 mil por semana das organizações. A propina mais baixa seria, por exemplo, para manter em funcionamento um bar com até cinco máquinas. O dinheiro mais alto viria de donos de grandes estabelecimentos. Em alguns casos, os servidores já estariam atuando como sócios nas organizações.
O delegado contou que, desde 2005, vinha recebendo informações da participação de servidores com jogos de azar. As ações, no entanto, foram intensificadas a partir de maio.
- Detectamos a participação de pelo menos seis grandes grupos na exploração das máquinas. Eram organizações que exploravam o jogo do bicho e migraram para os caça-níqueis - salientou o delegado.
A PF passou a monitorar o esquema, principalmente a partir de escutas telefônicas. Ao cruzar informações, Noerci encontrou indícios de que equipamentos apreendidos voltavam às casas de jogos, mesmo as menores. O delegado afirma que o vazamento de informações sigilosas de investigações da Polícia Civil prejudicava o resultado final das operações.
PF deve pedir à Justiça o confisco dos bens
A PF não divulgou quantos apartamentos e casas estariam em poder do grupo. Esses bens ainda não foram recolhidos. Segundo a corporação, a busca por informações em cartórios poderia levantar suspeitas e impedir que informações fossem repassadas. Sabe-se, porém, que a PF deverá pedir à Justiça Federal que os imóveis sejam confiscados.
Para estruturar a ação, a PF monitorou casas de jogos e cumpriu mandados de busca em três locais com antecedência. A intenção era analisar como os grupos estavam distribuindo os equipamentos, de que forma as peças novas estavam sendo substituídas por velhas e como era a movimentação financeira. Em um desses lugares, onde funcionavam 60 caça-níqueis, as máquinas recolheram R$ 25 mil de jogadores apenas em uma manhã.
Os 47 presos foram levados a presídios do Estado. Nenhum nome foi confirmado pela PF, para não comprometer as investigações. Eles estão com prisões temporárias (30 dias) e preventivas (81 dias) decretadas.
Fonte: ZEROHORA.com
Nenhum comentário:
Postar um comentário